terça-feira, 16 de outubro de 2012

Serras do Sul - Dia06 - Santa Rosa de Lima / Urubici

(20/9) O dia amanheceu espetacular! Parecia que eu estava em outro lugar, pois a chuva e o nublado do dia anterior desapareceram e o sol e um céu azul deram as caras. Estava animado também porque hoje o trajeto passaria por um dos destinos "top" da viagem: a serra do Corvo Branco, finalmente! Claro que antes eu precisava chegar no sopé da serra, ou seja a localidade de Aiuerê, e o caminho até lá foi bem legal, mas num sobe e desce danado, já que a região é bem acidentada. Mais ou menos a meio caminho, é possível avistar o paredão a qual a serra do Corvo Branco faz parte, e aos poucos ele foi crescendo no horizonte a medida que eu me aproximava de Aiuerê.






Alguns kms antes do sopé da serra, parei numa casa que tinha uma placa de "Informações Turísticas" e descobri que ali funcionava um pequeno e tradicional alambique. Cachaça produzida do jeito mais tradicional possível: primeiro a cana é fervida numa baciazona de cobre, depois colocada para fermentar com água em uma caixa dágua e por fim, "cozida" novamente numa especie de forno de barro, com um tubo que passa por uma caixa com água corrente, que serve para resfriar o vapor de cana, fazendo com que a cachaça, literalmente, comece a "pingar" na saída do cano. Mas não experimentei a branquinha não... tomei uma pepsi mesmo, conversei com o proprietário, descobri que não teria lugar mesmo para almoçar em Aiurê,  e que depois da subida haveria bastante aslfalto até Urubici.





Comecei a subida por volta das 11h da manhã, e logo descobri que a descrição que os motoristas costumam dar para a serra não condiz muito com a realidade que os ciclistas encaram: "A serra é pequena, a parte inclinada mesmo é só o último quilômetro!". A serra começa muito inclinada, depois fica "gerenciável" e por fim fica insano no último 1.5km. Ah sim... e só esse último trecho é que tem um protótipo de asfalto, porque o o resto é terra! No começo da subida eu olhava para o altímetro do GPS e parecia que estava olhando para o odômetro :-).  Mas apesar da descrição dramática, a subida foi rendendo, e a paisagem foi ficando cada vez mais espetacular.

Em determinado momento, a estrada passa por uma pequena planície com uma vegetação mais rasteira, e é possível ver o caminho sumindo por entre as escarpas da montanha, sinal de que eu estava chegando no "chefe de fase" do dia. Ao chegar no trecho final, você olha para cima e fica tentando imaginar por onde a estrada passa, pois ela some em meio a vegetação e curvas do tipo cotovelo entre as rochas.







Apesar da esforço para pedalar morro acima a bike carregada, curti bastante o último trecho (aquele da inclinação insana) e quando me dei conta, estava no mirante próximo a aquele corte imenso entre as pedras que marca o ínicio da descida da serra e parada obrigatória para as fotos. Encontrei mais duas famílias de carro por lá e trocamos aquela gentileza de tirar fotos um dos outros.







Meu plano original seria o de dormir antes de Uribici, em uma localidade chamada Rio Canoas, mas no meio do caminho eu havia decidido por seguir até Urubici por várias razões: ficar dois dias na mesma pousada ia permitir que uma parte da minha roupa secasse, pois o que eu estava lavando nem sempre secava até o dia seguinte; eu poderia subir o morro da igreja descarregado no dia 07; e pra completar, descobri um raio quebrado na roda traseira e possivelmente acharia algum lugar para trocar em Urubici. Pra facilitar ainda mais os planos, eram apenas 14h da tarde! Após o término da subida, a estrada segue por uns 4 ou 5 km sem pavimentação e depois segue asfaltada até Urubici. Motivado pela proximidade, segui num ritmo bem bom, fazendo apenas uma pequena parada para uma água/refri na entrada para o Morro da Igreja. Chegando em Urubici parei para pegar umas informações, e me indicaram uma bicicletaria e uma pousada. Fui até a bicicletaria onde fui muito bem atendido pelo Luciano, que trocou o raio (claro que eu tinha levado sobressalentes!) e não quis me cobrar! Ainda tomei um café com ele e mais um amigo dele. Pode parecer até um pouco contraditório, mas a experiência tem mostrado que existe um pessoal muito bom nos locais mais improváveis... não que trocar um raio seja algo complicado, mas ele fez bem rápido, sem desmontar a roda, e ficou bem bom o serviço :-). Segui então para a pousada onde fui bem recebido pelo seu Chico, que também é ciclista! Usei o tanque e o varal para dar um jeito nas roupas, tomei um bom banho e usei a internet sem fio. A menos de uma quadra da pousada fica um restaurante legal, onde jantei logo no começo da noite.

 (um pouquinho de publicidade merecida)

(Igreja Matriz de Urubici)


Resumo do dia: 72km com 2150m de altimetria. Track aqui.

4 comentários:

  1. Dia incrível mesmo esse, parabéns!!

    Abraços!
    Rodrigo Stulzer
    transpirando.com

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  2. Corvo Branco subindo e com céu de brigadeiro, Epetacular

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  3. Como assim parar para secar a roupa? Vai me dizer que a bike não dá um belo varal? :)

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    Respostas
    1. ah.. eu tenho certeza de que perderia coisas pelo caminho!

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