sábado, 20 de abril de 2013

Audax 300km - Lapa/Corupá

 (13/04) Eu já havia feito vários Audax de 200kms antes, mas desde o ano passado já estava decidido a dar um "passo a mais" e encarar distâncias maiores. A oportunidade apareceu e perto de casa na forma do Audax 300km organizado pelo pessoal do "Randonneurs Lapa". O Pedro também queria participar, então fechou, fizemos as inscrições! Fomos eu, a Gleyce e o Pedro para Lapa na sexta a noite, evitando assim ter que acordar ainda mais cedo no sábado (caso fizessemos como outros ciclistas de Curitiba que foram para Lapa no sábado mesmo). Já na pousada, encontramos um pessoal de Santa Catarina!



A previsão do tempo não era das melhores. A noite choveu um bocado e pela manhã ainda havia uma garoazinha chata, o que fez com que alguns inscritos desistissem. Mesmo assim haviam 31 ciclistas ainda para o desafio. 

Saímos da lapa com uma pequena garoa, mas havia uma boa chance dela parar depois. O Pedro improvisou um paralama no estilo "mulambiker" (mais abaixo). Eu sabia que a prova na verdade seriam duas: uma "perna" de uns 140kms até Corupá/SC, onde perderiamos altitude, e uma dura volta de 160km onde subiríamos  de Corupá até São Bento de Sul e de lá voltaríamos para o ponto de partida.

A ida foi relativamente tranquila. A chuva parou e o tempo ficou nublado na maior parte do tempo, o que até é bom, porque não pegamos aquele sol na cabeça. Fizemos paradas rápidas nos PC1 e PC2 e por volta das 13h chegamos em Corupá. Nesse PC demoramos um pouco mais. Eu tinha planos de almoçar mesmo, mas acabamos só lanchando. Considerando que teriamos vinte e tantos kms de subida talvez tenha sido melhor ficar no lanche mesmo. A subida de Corupá é bem puxada! Pela primeira vez fiz muito uso dos pinhões 30T/32T que vieram na minha Roubaix e que eu achava que eram um exagero :-). Para completar, no meio da subida tem uma espécie de vale, então vc desce por uns 3 kms só para subir tudo de novo depois! Mesmo girando rápido, no meio da subida recebi aquelas fisgadas na perna que são o aviso de caimbras. Droga! Mas pedalando em pé e mudando a posição sentado no selim consegui gerenciar bem a subida e chegar em São Bento do Sul.


(Pedro subindo a serra de Corupá. A foto não faz jus a inclinação da estrada!)

(São Bento do Sul)

Chegamos em São Bento do Sul por volta das 16h. Paramos no PC, lanchamos e tentamos repor os sal e água perdidos. Haviámos vencido um dos grandes "chefes de fase" desse Audax, mas ainda tinha mais por vir, particularmente eu estava preocupado com o trecho da BR-116 e com pedalar a noite.

Saindo de São Bento a estrada é um verdadeiro tobogã, subindo e descendo a todo momento, e aos poucos ganhando altitude. Paramos no ponto mais alto para uma foto e colocar mais roupas pois estava esfriando bastante! Estava escurecendo também. Eu achava que logo estaríamos pedalando no escuro mas ficamos bastante tempo pedalando numa certa penumbra antes de escurecer de vez.

Os PCs estavam espaçados cerca de 50kms um dos outros, mas nesse trecho, havia uma distância de 84km entre os PCs, então optamos por dar uma paradinha em Mafra para repor as energias antes de encarar o trechod e BR116. Nessa altura já estava escuro e a temperatura havia caído bastante. Retornar ao pedal depois de uma parada é terrível porque o suor esfriou e no primeiro km sentimos bastante frio. Encaramos uma subida longa na BR116 mas reabastecidos e motivados pela proximidade com a Lapa até subimos bem (novamente precisei pedalar em pé para driblar as caimbras, mas tudo bem :-) ).




O trecho da BR116 acabou sendo mais fácil do que eu imaginava e logo chegamos no último PC na entrada da estrada para Lapa. Paramos para pegar o comprovante e tomar um café antes de encarar os meros 32kms que faltavam!

O último trecho até a Lapa foi bem legal. Estávamos motivados e mesmo o trecho sendo um aclive leve e constante mantivemos uma boa média de velocidade. O trecho tinha muito pouco movimento e a estrada não possuia iluminação nenhuma, o que rendeu dois episódios "interessantes". O primeiro foi tomar um corridão de uns cachorros, os quais ouvimos latir, ouvimos correrem, ouvimos o ruído de mato e depois de patas no asfalto, mas não vimos os bichos! Também pudera, a hora que eu pensei "ok, despistamos eles" e olhei no GPS nós estávamos a 38km/h! Foi legal também apagar os faróis e observar o céu bastante estrelado acima de nós.

Faltando uns 10kms para chegar, encontramos o Della e o Tiago (de SC) na beira da estrada trocando um pneu furado. Esperamos eles terminarem e partimos com eles, mas nós vinhámos num ritmo mais forte e acabamos nos separando!

(paralama "mulambiker". Depois da chuva ele começou a amolecer, mas recebeu um reforço estrutural de um galho!)

(chegamos!)

Enfim, após 15:23 de prova terminamos os 300kms chegando na casa do Sabóia! Alguns minutos depois chegaram o Tiago e o Della. Ficamos um pouquinho de papo com todos, mas logo seguimos para a pousada para um merecido banho e retorno para Curitiba. Valeu a experiência, mas foi bem pesado. Não tanto pela distância mas pela altimetria insana! O GPS registrou ~4600m de altimetria! Se mandar corrigir a altimetria pelos mapas topográficos da região dai pula para 5600m!

Um agradecimento pro Pedro pela companhia! Pedalamos juntos quase todo o trajeto.

Resumo: 300km, 4600m de altimetria. Track aqui.

terça-feira, 5 de março de 2013

Lagamar 2013 - Dia 5 - Ilha do Mel - Paranaguá - Graciosa - Curitiba

(16/01) O último dia de viagem começou meio cedo. Tomamos café cedo porque partiriamos no barco das 8hr para Paranaguá. No embarque quase erramos de barco (entramos no barco para Pontal do Sul), mas percebemos a tempo e pegamos o barco certo.


Já em Paranaguá paramos em um posto de gasolina para comprar água e nos preparar para a subida da serra e seguimos. A saída de Paranaguá e meio conturbada, com trânsito forte de caminhões na zona portuária, mas apesar disso seguimos sem sustos. Talvez para compensar todos os outros dias de pedal lento, seguimos em um ritmo forte até a entrada de Morretes. O Pedro queria retornar cedo para casa e ia subir via 277 mesmo. O Rafael tinha planos de ficar em Morretes mas talvez retornasse para Curitiba se não tivesse vaga na pousada que ele queria ficar. E eu e o Zé iriamos retornar para Curitiba, mas subindo pela Estrada da Graciosa.




Fomos com o Rafael até a pousada e tinha vaga, então ele ficaria mesmo em Morretes. Consideramos a idéia de almoçar com ele antes de subir, mas ainda era meio cedo então eu e o Zé seguimos para Porto de Cima, onde fizemos um lanche. Enquanto estávamos lanchando o tempo virou e começou a chover. Esperamos mais um bocado e a chuva diminuiu bastante mas não parou então resolvemos seguir assim mesmo. Eu já havia subido a graciosa de mountain bike e de speed, mas carregado de alforge foi a primeira vez :-). Mas até que foi tranquilo. Gerenciamos bem o ritmo e aproveitamos o fato de não estar um sol forte na cabeça.  Na verdade até estava um pouco frio lá no mirante.





Fomos até a Dom Pedro e percorremos ela até o contorno, e em vez de seguir por Quatro Barras, pegamos o contorno. Fizemos uma parada no SAU (Serviço de Atendimento ao Usuário), o qual costumamos passar quando pedalamos de speed aos domingos, e para nossa grata surpresa haviam instalado uma nova máquina de café toda moderna. O café e chá de graça foram ótimos para dar uma animada depois de toda a altimetria e quilometragem que haviamos vencido.

Seguimos para Curitiba pela 277 e no viaduto da Rui Barbosa me despedi do Zé, pois ele iria para São José dos Pinhais. Os últimos quilometros foram de rotina mesmo, mas cheguei em casa bem e contente pelo pedal. Valeu pela viagem, camaradagem e piadas pessoal!

Resumo do dia: 129km com 1600m de altimetria. Track aqui.

Lagamar 2013 - Dia 4 - Ilha do Mel

(15/01) O quarto dia de viagem foi um dia de não pedal... até haviamos cogitado a idéia de contornar a parte oeste (a parte que dá pro lado da baia de Paranaguá) de bike, mas acabou não acontecendo. Primeiro porque parece que não dá mesmo, pois tem trechos sem areia e de manguezal, e depois porque bateu preguiça mesmo :-). O programa então era andar pela ilha. Subir até o farol, e depois seguir até Encantada e foi o que fizemos. Pela primeira vez o tempo realmente colaborou e fez um dia de sol legal.




Do farol seguimos para Encantadas cruzando umas praias que eu não sei o nome :-). E logo antes de chegar em Encantadas visitamos uma "gruta" (deram uma "valorizada" na atração).



Em Encantadas almoçamos e resolvemos voltar de barco em vez de andar tudo de volta. De volta a Brasilia ficamos o resto do dia de bobeira na pousada e em barzinho legal que encontramos por lá. Aproveitamos também para nos informar dos horários de barco para Paranaguá e o preço.

No final das contas o argentino tinha razão... a Ilha está bem turistica. Em todo lugar se aceita cartão de crédito e os preços estão inflacionados. Mas ainda assim vale muito conhecer, pois local é bem bonito.

Sem pedal e sem track por hoje :-)

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Lagamar 2013 - Dia 3 - Ilha do Cardoso - Superagui - Ilha das Peças - Ilha do Mel

(14/01) Choveu um bocado durante a noite, e acordei para fechar melhor a barraca, mas a ainda assim dormi bem e bastante :-). Acabei acordando cedo e fui até a praia fazer algumas fotos antes do café da manhã.




Tomamos um café e levantamos acampamento. A dona da casa onde acampamos passou um rádio para o povoado que fica do lado da Ilha de Superagui para conseguir um barco pra gente. Ao chegarmos na praia o barqueiro já estava nos esperando para nos levar para o outro lado. Dessa vez o desembarque na praia deserta foi mais fácil e ficamos bem no comecinho dela.





Mais um dia de tempo esquisito! A praia deserta é bem mais legal com sol. Já chegando na vila do Superagui, ameaçou uma chuva, mas garoou um pouquinho só e parou. Ao chegarmos encontramos um outro ciclista e ele veio conversar com a gente. Ele era Argentino e estava viajando com alguns amigos conhecendo o Brasil "de verdade". Quando soube que iríamos para Ilha do Mel, recomendou que ficassemos por Superagui mesmo, e que lá era tudo muito para turista (ok, ele tinha razão, mas eu tinha que conhecer pessoalmente :-) ).

Fomos atrás de um barco para nos levar para a Ilha do Mel, e até encontramos uma barqueiro disposto a nos levar, mas iria sair R$50 por pessoa para fazer a travessia. Um pescador acabou nos convecendo que seria melhor atravessarmos para a Ilha das Peças e de lá tentar um barco, pois assim sairia mais barato. Acabamos concordando com a idéia e em poucos minutos fizemos a travessia para a Ilha das Peças.

 (o cara foi buscar o barco a nado!)




Fizemos o trajeto na Ilha das Peças rapidamente, pois dessa vez pegamos uma maré mais favoravel e portanto mais fácil de pedalar. Tínhamos a esperança de encontrar algum barco no meio do caminho, mas só o que encontramos foram operários passando cabos elétricos. Chegamos na vila da Ilha das Peças bem na hora do almoço e aproveitamos para comer. Nos informamos com os locais e acabamos conseguindo uma voadeira para nos atravessar até a Ilha do Mel.

Fizemos a travessia para a Ilha do Mel e descemos próximo à marinha. Pedalamos até o forte e aproveitamos para conhecê-lo. De lá até Nova Brasília foi rapidinho. Demoramos um pouquinho para achar uma pousada com um preço e conforto razoáveis, mas encontramos e nos hospedamos. Ficamos um pouco de bobeira, saímos para dar uma volta e achar um local para jantar. De fato como o argentino havia comentado, a ilha é bem turística e ao contrário de outros lugares que passamos, em qualquer lugar se aceita cartão. Obviamente que os preços acabam inflacionando um pouco, mas com um pouco de pesquisa é possível conseguir as coisas por um preço "razoável".











Resumo do dia: 45km pedalados + 3 barcos. Track aqui.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Lagamar 2013 - Dia 2 - Cananéia - Ilha do Cardoso

(13/01) Acordamos cedo e esperamos um bocadinho até o pessoal da pousada organizar o café da manhã, algo em torno das 8h. O dia hoje seria bem tranquilo então não tinhamos muita pressa. Saímos da pousada e fomos para o cais, que ficava a meia quadra da pousada, e tivemos que esperar mais um pouquinho os barqueiros decidirem quem ia levar a gente. Decisões tomadas, foi só embarcar e curtir a viagem de voadeira até a Vila do Marujá na Ilha do Cardoso.



O passeio de barco é legal, pena que o tempo continuava cinza. Dica: leve pelo menos um corta-vento, senão corre o risco de passar frio. A Ilha do Cardoso tem um porção mais gordinha, seguida de um braço bem comprido e fino, e a Vila do Marujá fica próximo a junção dessas duas partes. Desembarcamos na vila, procuramos por informações turísticas, e decidimos que iriamos até a ponta da ilha (Pontal do Leste), onde iríamos pernoitar.




Como eu havia comentado, estávamos no lado "fino" da ilha, e apesar de termos desembarcado no lado da ilha voltado para o continente, atravessamos para o lado do oceano por um caminho de menos de 500m!



Seguimos pela praia até a ponta da ilha onde achamos uma pequena comunidade (uma meia duzia de casas). Nós haviámos nos informado antes sobre o que encontrariamos lá, e sabiámos que haveria um restaurante. Então fomos até ele e ficamos um bom tempo por lá. O lugar seria o ideal para acamparmos, mas perguntamos se poderíamos ficar por lá e rolou aquele jogo de empurra: tem que perguntar pra ciclano, e ciclano empurra para o líder da vila. No final não nos deixaram ficar por lá. Os campings da vila são os quintais das casas dos nativos, e acabamos ficando no quintal da primeira casa que haviámos visto quando chegamos. Não era exatamente um "camping", mas nos ofereceram um espaço plano, sombra e um banheiro. Ok... tá ótimo:-). Armamos acampamento, deixamos os alforges e voltamos para a frente do restaurante para mais um banho de mar.




Ao escurecer fizemos um jantar com o que haviámos comprado antes de sair de Cananéia: grão de bico de caixinha, legumes de caixinha e salsicha em conservas. E enquanto jantávamos, alimentávamos também os mosquitos. Sem muito o que fazer, fomos dormir cedo. Ah sim, sem energia elétrica no local, a não ser de geradores. Durante a noite choveu um bocado, mas nada para o qual não estivéssemos preparados.


Resumo do dia: míseros 14km e 9m de altimetria (mas acho que tá errado... deveria ser nada!). Track aqui.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Lagamar 2013 - dia 1 - Iguape, Ilha Comprida, Cananéia

(12/01) Como está virando costume, em janeiro um pequeno grupo de amigos (Eu, Pedro, Rafael e o Zé) se reuniu para uma viagem de bike. Esse ano, devido a fatores diversos, optamos por uma viagem curta e "fácil" :-).

Normalmente eu começo os relatos de viagem com o "Dia 0", que conta a preparação para a viagem. Bom, dessa vez houve bem pouca preparação: li uns 2 ou 3 relatos de pessoas que fizeram roteiros parecidos, olhei no mapa algumas distâncias, e foi só! Decidimos a data de inicio, uma duração provável e a logística de chegada ao ponto inicial da viagem. Fomos de carro mesmo até Iguape no dia 11/01, e dormimos por lá para poder iniciar o pedal no sábado, dia 12. (Nota: valeu Fabrício "estagiário" por trazer o carro de volta!)




Saímos não muito cedo de Iguape, por volta das 9h, e atravessamos a ponte para Ilha Comprida. Após alguns poucos kms pelo asfalto, pegamos a beira da praia e seguimos pela areia. Com a maré baixa, a faixa de areia mais firme fica maior e não oferece grandes dificuldades para o pedal. Aliás... em vários trechos encontramos algum tráfego de carros e até mesmo ônibus de linha utiliza a faixa de areia!






Com o terreno plano e areia firme, o pedal rendeu e logo chegamos no fim da Ilha Comprida. Paramos para um lanche e ficamos um bom tempo de bobeira em uma barraquinha na beira da praia. Ao contrário de outras viagens onde havia uma certa preocupação para vencer determinados trechos dentro de um determinado tempo, dessa vez tinhamos que cuidar para não pedalar demais e acabar logo a viagem! Mesmo podendo ir mais adiante, decidimos que terminaríamos o dia em Cananéia, então ao sair da praia percorremos um trecho curto até o ferryboat e atravessamos para a cidade de Cananéia. Não tivemos dificuldades em encontrar uma pousadinha barata. A noite saímos para jantar e enfrentamos uma das grandes dificuldades dessa viagem: mosquitos!




Aproveitamos também para pesquisar opções de barco para nos levar a Ilha do Cardoso, mas os barqueiros lá são "sindicalizados". O preço é tabelado então nem perca muito tempo tentando achar algo mais barato. Basicamente existem duas opções: uma balsa da Dersa que faz o percurso até a vila do Marujá, mas apenas em alguns dias da semana (devagar e barato), ou vai de voadeira pagando mais caro e indo mais rápido (ficou em R$50 por cabeça + R$10 da bike)!!

Resumo do dia: 59km com 44m de altimetria ! Track aqui.