sexta-feira, 18 de abril de 2014

Carretera Austral 2014 - Acampamento Selvagem até Villa Cerro Castillo

(19/01) Eu já deveria ter aprendido isso, mas acabo cometendo o mesmo erro: quando vou deitar o corpo ainda está um pouco quente por conta de todo o pedal durante o dia, e a noite a temperatura cai bastante, e o resultado acaba sendo passar frio de madrugada! Dessa vez foi pouco, mas teria ficado melhor com uma meia a mais (na verdade com um saco de dormir mais pesado... vai pra wish list). O amanhecer foi tranquilo, e fizemos o café e arrumamos as coisas no tempo regulamentar :-). Na saída eu resolvi fazer mais um ajustezinho no selim e acabei quebrando o parafuso do "colar"  do canote. Claro que o parafuso não era "padrão", mas conseguimos improvisar com um parafuso menor e uma porca e não perdemos muito tempo com isso.

 (levantando acampamento)
 (claro que não era nenhum destes! Mas conseguimos improvisar!)

O dia prometia ser de sol, então já me preparei para ir "descascando". Começamos o dia descendo e com uma terra batida muito boa, e ainda para ajudar um pouco de vento de cauda, claro que tudo isso não ia durar. Cruzamos um grande rio e como normalmente acontece depois disso, começamos a subir! O terreno piorou também, mas em compensação começamos a avistar a montanha conhecida com "Cerro Castillo". Ao contrário do famoso "Fitz Roy", que foi tímido e se mostrou muito pouco para nós, o Cerro Castillo foi bem "exibido". Muitas paradas para fotos e um descidão com um terreno cheio de pedras soltas que terminou na Villa Cerro Castillo.


Paramos em um restaurante para almoçar, embora já fosse umas 3 da tarde. Ficamos na dúvida entre seguir ou ficar. Mas se seguissemos teriamos que ou percorrer os 98km até Coyaque ou dormir no caminho. Acabamos optando por ficar, o que pra mim foi uma excelente escolha. O simples fato de ficar admirando a vista já valeria a pena, mas teve mais! Demoramos um pouquinho para achar hospedagem, mas encontramos e ficamos em uma hospedagem "domiciliar", ou seja, alguem que aluga alguns quartos da própria casa para os turistas. Apesar do quarto ser simples, a vista era fantástica. Coloquei uma cadeira próxima a janela e fiquei um bom tempo de bobeira só admirando.


 (Cerro Castillo - "Castelo" ao fundo)

 (vários ângulos :-)

(Chegada em Villa Cerro Castillo)

Mais tarde saímos para lanchar/jantar e conhecemos um senhor esloveno (de uns 60 e poucos anos) que estava percorrendo a Carretera de bike também, mas no sentido norte-sul. Vida interessante a dele: conhecia diversos países e já havia trabalhado com diversas coisas também. Ele nos contou que o seu pai havia trabalhado bastante e morrido aos 40 anos de idade, e que ele havia decidido que não queria isso para ele. Nos contou também que estava fazendo a viagem sozinho e sem barraca, então as vezes precisava percorrer trechos grandes para chegar em uma cidade. E por fim, que essa seria a última viagem de bike dele, e que ao chegar ao destino ia vender/doar a bike, e ia voltar para casa para curtir a namorada, o jardim e viver tranquilamente. Segundo ele a Carretera é a "Meca" ou "Everest" do cicloturismo. Fiquei ainda mais feliz pela oportunidade de poder estar fazendo essa viagem aos 40 anos e com os amigos!

 (vista do quarto!)
 (açougue!)
 (antes delas entrarem no pote com calda, elas são assim! E deliciosas :-) )
(mais um pouquinho de Cerro :-) )


Resumo do dia: apenas 52km com 365m de altimetria. Track aqui.

domingo, 13 de abril de 2014

Carretera Austral 2014 - Rio Tranquilo até Acampamento Selvagem

(18/1) Contrariando o tempo do dia anterior, amanheceu com sol e uma temperatura amena. Bem descansadas, conseguimos arrumar as coisas e sair relativamente cedo. Fizemos uma paradinha no local com rede wifi aberta para usar a internet, já que ficariamos o resto do dia sem. A nossa próxima parada seria a Villa Cerro Castillo, mas como ficava a uns 130km de distância, optamos por fazer o trecho em duas etapas, o que exigiria um acampamento "selvagem" no meio do caminho.


O dia estava perfeito e começamos o pedal margeando o Lago General Carrera . Foi um pedal bem contemplativo e fizemos várias paradas para fotos. Após passarmos por um "braço" do lago, onde fica a "Baia Murta", a Carretera se afasta do lago e entra em um vale muito bonito também. Pegamos um pouquinho de vento contra, mas com todo o resto correndo tão bem, não chegou a atrapalhar.

Após uns 45km rodados paramos na beira de um rio para almoçar e esquentamos o risoto da noite anterior. Para acompanhar ainda tivemos umas latinhas de cerveja levadas pelo Rafael e geladas nas águas do rio!

 (buscando a cerveja na geladeira :-) )

De volta ao pedal nos preparamos para o chefe de fase do dia, ou seja, uma serra. Essa tinha o formato de "degraus", alternando trechos de inclinação forte, com trechos pouco inclinados. Mas até que deu pouco trabalho e subimos numa boa. No topo da serra fica a Laguna Cofré, e eu havia lido que seria um bom lugar para procurar um cantinho para um acampamento selvagem. Bom.. não achamos nenhum lugar legal, então seguimos em frente. Encontramos alguns cicloturistas viajando no sentido contrário e eles nos falaram de uma propriedade mais adiante onde poderia haver um bom lugar para acampar.

 (pegando informações)

Por volta do km 70 encontramos a tal propriedade. Uma casa, dois galpões e algum maquinário. Pedimos permissão para o proprietário que nos deixou acampar no terreno. Escolhemos um lugarzinho mais afastado da casa e mais próximo ao rio. Não era nenhuma maravilha, mas atendia aos requisitos básicos, então armamos as barracas, cozinhamos e deitamos cedo, para nos livrarmos logo dos mosquitos.




Resumo do dia: 71km com 840m de altimetria. Track aqui.

sábado, 12 de abril de 2014

Carretera Austral 2014 - Rio Tranquilo

(17/1) Depois de uma sequencia de dias pedalando, um dia de descanso cai muito bem. E ainda mais um dia com uma das atrações especiais da viagem: a visita as "Capillas de Marmol" ou Capelas de Mármore. Começamos o dia devagar e tomamos café da manhã sem pressa. Por volta das 11h saímos e fomos até a beira do lago/rua principal de onde saem os passeios para as capelas. Passamos por uns 3 ou 4 trailers/quiosque para verificar preços e contratar o passeio, que dura mais ou menos 90 minutos e é feito de barco. Existe a opção de fazer ele com caiaque, mas ficamos no tradicional mesmo.

(A Capela de Mármore)

Saindo de barco do caís, navega-se por uns 15 a 20  minutos até chegar as formações conhecidas como Capelas de Mármore. O barco chega bem pertinho delas, e até passa por dentro de uma caverna esculpida pela água. Em outro ponto, o barco te deixa em uma espécie de nicho na pedra e se afasta para que seus amigos possam tirar fotos :-). Rodamos mais um pouco para ver outra formação que parece uma ilha suspensa em colunas de mármore.


 (sim... aqui venta tb! Veja como fica o "penteado" das árvores :-) )
 (se aproximando do primeiro grupo de formações)








(ali é que fica o nicho na pedra!)
 (ops... cade o barco?)
(tá aqui ó!)


Após um zilhão de fotos, retornamos para o caís e na volta pegamos um pouco de chuva e a água um pouco batida (sim, claro... eu tinha tomado um dramim)! Fizemos algumas compras, e voltamos para cabana para cozinhar e almoçar. Experimentamos um dos costumes locais e fizemos uma boa "siesta", usando boa parte da tarde para ler e dormir!

 (pós almoço. E sempre tem o varal...)

No final da tarde fomos até um do ponto da rua onde havia uma rede sem fia aberta para mandar notícias e navegar um pouco na internet. Um pouco desconfortável por causa do frio, mas era isso ou nada, e no dia seguinte a previsão era de acampamento selvagem, ou seja, sem internet :-).  Fizemos mais umas comprinhas para o jantar e próximo dia de pedal. Açougue em uma pequena cidade do Chile é algo bem diferente do que estamos acostumados... sem câmaras frigoríferas ou balcões refrigerados, mas apesar disso conseguimos alguma proteína para a janta :-).

 (jeito "alemão" de viajar!)

(internet na rua!)

Sem pedal hoje, mas muitas e muitas fotos!