domingo, 12 de fevereiro de 2012

Expedição El Calafate - Ushuaia: Rio Grande - Tolhuin

Apesar do hotel ser ruinzinho, pelo menos o café da manhã ficou acima da média. Não que isso seja grandes coisas, mas o que temos encontrado durante a viagem tem sido pouca variedade e pouca quantidade na refeição matinal. Muitas vezes vc recebe apenas uma ou duas fatias de pão, sem direito a reposição, então qualquer coisa acima disso já é lucro :-). A saída de Rio Grande foi contra um bocado de vento, e com um certo trânsito. Mas após uns 10kms estávamos de novo no rumo sul e em velocidade de cruzeiro.

(Foto: Daniel Czaikowski)

 

 (Foto: Mildo Ari)

Após Rio Grande percorremos um trecho próximo ao mar, mas depois de uns 30kms a estrada se afasta dele e a paisagem começa a mudar, e começamos a ver bosques e florestas. O vento deixou de um ser um problema, mas em compensação a temperatura começou a cair.

Esse trecho foi relativamente tranquilo, e a surpresa do dia foi o Daniel ser parado por uma família de Mineiros (err.. gente de Minas Gerais mesmo! não chilenos :-) ) que estavam viajando de caminhote e queriam saber mais da aventura e oferecer uma farinha que eles comiam quando pedalavam!


 (Foto: Daniel Czaikowski)
 (Foto: Daniel Czaikowski)

Chegamos em Tolhuin relativamente cedo, mas estava frio e como o dia estava bem nublado a luz do dia estava fraquinha, então não havia razão pra continuar, e mantivemos o plano, ou seja ficar em Tolhuin. O lugar é curioso...  uma cidadezinha pequena, mas com uma padaria bem grande e bem servida. Ela é ponto de parada das diversas vans que vem/vão do Ushuaia, e o dono ou é um cicloturista ou pelo menos um amigo de cicloturistas, tanto é que ele mantém um quarto junto ao depósito da padaria que ele oferece gratuitamente aos cicloturistas!

(Homenagem ao Cicloturista!!!)
(Panaderia "La Union")

Por questões de logística e capacidade (5 num quarto, sem toalhas, etc) acabamos declinando o convite e saímos para procurar uma hospedagem. Haviam algumas pousadas mais afastadas (e caras), e começamos a ficar com aquela sensação que seria dificil encontrar algo, mas num posto de gasolina que paramos para pedir informações, o atendente nos indicou uma pessoa que tinha cabanas para alugar, e acabamos fechando com o sujeito. O preço era legal, as cabanas também, e o local bem bonito, ou seja, tinha tudo que precisávamos. E o dono ainda tinha um cachorro muito legal, com o qual brincamos um bocado! Ah... Além disso tudo, ainda tinha wifi!!! Perfeito!

(Foto: Rafael Gassner)

(Entardecer em Tolhuin; Lago Fagnano ao fundo. Foto: Rafel Gassner)

Depois de nos hospedarmos e de cuidarmos dos "afazeres" do dia (roupa e banho), saimos para jantar. Além da padaria ser excelente, em frente a ela, fica um restaurante muito bom também (Los Ramirez), onde experimentamos um dos melhores bife de chorizo da viagem. De volta às cabanas aproveitamos a TV LCD para vermos fotos, e tomar mais um vinho/coca-cola, comprado no mercadinho local. 

 (Foto: Mildo Ari)
 (Foto: Mildo Ari)


Aproveitei também para procurar opções de vôo a partir de Buenos Aires, e haviam bem poucas opções. As menos piores seriam iam para SP, trocavam de aeroporto lá, e seguiam para Curitiba no dia seguinte. Mas me ocorreu uma idéia melhor! Achei um vôo para Florianópolis, então poderiamos ficar na casa da minha mãe e seguir no dia seguinte, o que obviamente era muito melhor do que ter que atravessar SP, e dormir no aeroporto! Então compramos as passagens e a nossa volta estava resolvida!

Resumo do dia: 113km. Track aqui.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Expedição El Calafate - Ushuaia: San Sebastian - Rio Grande

Hoje o dia prometia ser relativamente tranquilo: uns 95km, e sem vento contra (lateral talvez), então levantamos e tomamos café da manhã sem muita pressa. A passagem pelas aduanas foi bem tranquila, e pudemos, de novo, verificar como é mais simples atravessar de bicicleta :-). Assim como na outra fronteira, o trecho entre os dois países é de rípio, como se nenhum dos dois países estivesse a fim de investir no asfalto. Já do lado Argentino paramos num posto/loja de conveniências para as compras do dia. Logo em frente ficava uma "ACA" hosteria indicada no GPS (obs: ACA = Automóvel Clube da Argentina), mas estava fechada! Ainda bem que no dia anterior haviámos decidido ficar no Chile!

(Aduana Chilena)
(Foto: Daniel Czaikowski)
(De volta à Argentina)
A estrada até Rio Grande é asfaltada, plana, e o vento ajudou, então fechamos o trecho com uma média de quase 25km/h! A vegetação continua rasteira, mas pelo menos em alguns pontos dava pra ver o mar, então isso aliava um pouco aquela sensação de estar pedalando no meio do nada :).  No caminho paramos em um santuário para o "Gauchito Gil" que é uma espécie de herói/santo popular da região.





(Foto: Rafael Gassner)

Ao chegar em Rio Grande procuramos o centro de informações e lá nos ajudaram a conseguir hospedagem (acabamos num hotel bem ruinzinho...). A cidade é ponto de parada para quem vai ao Ushuaia, e foi também, durante a guerra das Malvinas, o ponto de partida da força militar argentina, então haviam várias referências às Malvinas como placas e monumentos. Embora sem maiores atrativos (pra gente pelo menos), a cidade é relativamente grande, e havia uma loja da Aerolineas argentinas, então aproveitamos para comprar as passagens de volta, quer dizer... a passagem de Ushuaia para Buenos Aires, já que a Aerolineas não tem vôos para Curitiba. Teríamos ainda que resolver o que fazer a partir de Buenos Aires! Confesso que eu estava preocupado com essa passagem, pois antes de viajar, eu não consegui encontrar passagens saindo do Ushuaia no domingo (dia 22).

Como chegamos cedo, o Rafael foi ao mercado e patrocinou um "queijos e vinhos", com direito até a taças! Na televisão estava passando "O Náufrago" (hm... apropriado) :-).



Resumo do dia: 95km. Track aqui.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Expedição El Calafate - Ushuaia - San Sebastian

Como a van que nos levaria a San Sebastian era só nossa, e não daria mesmo para pedalar nesse dia, optamos por marcar de sair de Punta Arenas no começo da tarde, assim teríamos mais uma manhã livre. Eu contei que em Punta Arenas existe uma "Zona Franca"? :-) Poizé... fomos conferir. Seria mais apropriado dizer que é uma espécie de Duty Free grandão misturado com shopping center. Fizemos uma comprinha aqui e outra ali, mas coisas pequenas.

(Zona Franca)

Retornamos para o hotel (deixamos as coisas lá), e as 14h o cara da van chegou. Bom... a van era grande! Coube as 5 bikes atrás, nós 5 e ainda sobrou lugar! O caminho segue beirando o estreito de Magalhões até onde ele é, errr.. mais estreito :-), e onde fica a ferry que faz a travessia para a Terra do Fogo. Tivemos que esperar um pouquinho a mais, porque o primeiro ferry lotou! Mas logo atravessamos, e a estrada que antes era asfalto, virou rípio. Depois de mais um par de horas chegamos no local combinado: a fronteira com a Argentina. Desembarcamos e nos despedimos do motorista.


 (Foto: Daniel Czaikowski)
 (Foto: Daniel Czaikowski)
(Foto: Daniel Czaikowski)

Optamos por não cruzar logo a fronteira, e sim retornar alguns metros até uma pousada/restaurante para um lanche. Encontrei um casal de motociclistas e me informei sobre a estrada e o que vinha pela frente. Como já não era tão cedo, e a situação do outro lado não parecia muito melhor, acabamos optando por ficar do lado chileno mesmo e nos hospedamos.

O local parece um pouco um povoado de filme de faroeste! Uma planície deserta e no meio do nada a pousada e um posto de polícia. Ah sim... e a poeira! Só faltou mesmo aquelas moitas que ficam rolando.



Saldo do dia: algumas horas de van e nada de pedal :-(

Expedição El Calafate - Ushuaia - Punta Arenas

No dia anterior tinhamos nos informado a respeito da visitação a pinguinera, e fomos informados que existia um horário padrão para se visitar os pinguins: as 16h. Então tínhamos a manhã livre para resolver o nosso problema de transporte. Fomos a três empresas de ônibus diferentes (não existe uma "rodoviária" como conhecemos no brasil), e ou não tinha passagem, ou eles não transportariam todas as bikes, e para complicar a maioria das passagens era até o Ushuaia, e por se tratar de ônibu "international" eles não poderiam simplesmente parar no meio do caminho!!! Mas ai surgiu uma outra idéia: e se tentássemos contratar uma van? Dito e feito, entramos em uma agência de turismo e conseguimos contratar uma van que nos levaria até "Sán Sebastian", próximo a divisa com a Argentina. Essa seria a melhor opção, pois recuperariámos o dia de atraso sacrificando apenas 1 trecho de pedal. Não ficou exatamente "barato" mas era nossa melhor opção. Acabamos fechando com a mesma empresa a visita à pinguinera e ainda conseguimos um descontinho.

(e depois dizem que eu é que sou o do "contra" :-). Foto: Daniel Czaikowski)

Com a viagem novamente "encaminhada" saímos para almoçar e esperar a hora de pegarmos a van para visitar a pinguinera. A visita a pinguinera também não é muito barata, pois vc paga a van que te leva, paga ao dono da fazenda para atravessar as terras dele, e paga para entrar na pinguinera! No fim, o negócio é legal, mas não é tudo aquilo que esperávamos, porque vc imagina que vai ver alguns milhares de pinguins e no fim tem uns 50 a 100!



 (Foto: Daniel Czaikowski)
(Zé: "Eu odeio pinguins!". Foto: Daniel Czaikowski)

Como chegamos mais ou menos cedo (lembrando que lá escurece as 10 da noite!), ainda tivemos tempo para sair e dar uma volta de bike pela cidade. Eles tem uma espécie de "beira-mar" bem legal, com pistas de BMX, aparelhos de ginástica, etc. A garotada lá anda bastante de BMX, ficamos um bom tempo vendo e fotografando o pessoal na pista.



 (Foto: Rafael Gassner)
 (Foto: Rafael Gassner)


No fim do passeio paramos para ficar de bobeira olhando o mar (nada... mataram mais um vinho), e encontramos uma figura que era mergulhador de profundidade e "ativista" político, com quem ficamos um bom tempo conversando. E o resto do noite foi padrão: janta no mesmo restaurante e hotel.


 (El Overejo: uma foto tradicional da cidade)


Resumo do dia: visita a pinguinera e uns 15 km de pedal urbano :-)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Expedição El Calafate - Ushuaia - Villa Tehuelches - Punta Arenas (5o pedal)

Acordamos cedo na estrebaria, levantamos acampamento e fomos para a lanchonete do dia anterior afim de tomar o café da manhã. No caminho, pudemos ver melhor a simpática vila. Após o café, pegamos a estrada.




Pra variar o tempo estava nublado, o vento aumentando e não nos ajudando. No começo do trecho a paisagem volta a ficar um pouco monótona. O tempo começou a piorar, e acabamos parando para colocar roupa de chuva, que veio na forma de um chuvisco que durou uns 40 minutos. A região é de tanto vento a ponto de terem feito um "monumento ao vento"!


 (monumento ao vento)

No dia anterior, um policial havia nos dito que encontraríamos um hotel, uns 40kms depois da Villa. Ainda bem que resolvemos ficar pela villa, pois não encontramos o tal hotel. Apesar do vento e do tempo esquisito parecia estar tudo bem.... Faltando ainda uns 30kms para o destino, chegamos ao Estreito de Magalhões que separa o continente da "Terra do Fogo". Paramos num posto de gasolina/lanchonete para mais um sanduíche e um pequeno descanso. Além do vento, a temperatura tb não ajudava muito.



Como eu disse, "estava" indo bem... Saindo da lanchonete passamos a encarar um vento mais em diagonal (e contra claro!), e um movimento maior de carros que vão/vem de Punta Delgada, onde se faz uma das travessias para  Terra do Fogo. Mais alguns quilômetros pra frente, o Rafael me pede que eu fique de olho nele porque ele estava se sentindo um pouco fraco! Nossa...quando o cara que costuma andar na frente pede isso, é porque o negócio tá feio! Mas no fim, era só falta de glicose mesmo. Um reforço no lanche, ele melhorou e seguimos.


 (Foto: Rafael Gassner)
 (Foto: Daniel Czaikowski)

Faltando ainda uns 15km para Punta Arenas, o segundo "susto". Eu e o Daniel paramos para umas fotos próximo a placa indicativa da "Pinguenera", que visitaríamos no dia seguinte, e logo atrás vinha o Zé. Ele encostou e falou algo que eu não consegui entender por causa do vento, mas logo depois eu entendi: "Ajuda"! A perna direita simplesmente "travou" e ele não conseguia descer da bike. Ajudamos ele a descer da bike e comecei a ficar um pouco preocupado! O Daniel sugeriu que ele alongasse e que massageasse o lado do joelho, o que pareceu ajudar um pouco, mas não resolveu. Eu perguntei se ele queria um "resgate" e ele acabou aceitando. Fui para beira da estrada e na primeira caminhote que eu acenei e sinalizei um pedido de carona, o motorista parou e concordou prontamente em levar o Zé e a bike. Eu já tinha tido que achava os Chilenos muito legais e educados? Mais um ponto para eles :-). Pedi ao motorista que deixasse ele na "Plaza de Armas" (dica: nas cidades chilenas sempre tem uma "plaza de armas", que normalmente é praça central da cidade).

 (Foto: Daniel Czaikowski)
(Foto: Marcos José Valle)

Eu e o Daniel seguimos e alguns quilometros mais a frente encontramos o Rafael e o Mildo, que nos esperavam com uma salvadora garrafa de coca-cola! Já estávamos dentro da área urbana, mas ainda um pouco afastados do centro. Tentamos sair da rodovia e pegar umas vias paralelas, mas acabamos desistindo de tanto zigue-zague e subidas, e voltamos para a rodovia. Chegando a cidade, procuramos a Plaza de Armas e lá estava o Zé nos esperando. Repetimos o ritual de sair atrás de hotel, e acabamos achando um razoável a umas 3 quadras da praça. No hotel procuramos nos informar sobre o passeio a pinguinera, e sobre a balsa que faz a travessia para Porvenir, e fomos surpreendidos pelo fato de que ela não funcionaria na segunda (chegamos em Punta Arenas no sábado, e pretendíamos ficar por lá no domingo). Problemas a vista...

(Plaza de Armas)

A noite saímos para jantar e achamos um restaurante legal. Foi engraçado a surpresa do garçon depois que os 5 ciclistas acabaram com 9 pratos! Depois de uma noite sem um jantar decente e um dia sem almoço, a necessidade por calorias e protéinas é grande :-). Discutimos também o que fazer em relação aos próximos passos da viagem. O Daniel tinha passagem marcada no Domingo, então antes disso teríamos que chegar em Ushuaia. Mas se esperassemos a balsa, seguiriamos viagem apenas na terça-feira e começariamos a pedalar praticamente na hora do almoço, e  talvez o tempo ficasse muito apertado. Poderiamos pegar a balsa no domingo, mas nesse caso não visitaríamos a pinguinera. Acabamos tomando uma decisão intermediária: ficaríamos no domingo, mas procuraríamos um ônibus que nos levasse na segunda até Rio Grande. Assim, recuperaríamos o dia que haviámos atrasado, e ainda ganharíamos outro, que poderíamos gastar no Ushuaia! É um pouco decepcionante apelar para um veículo em uma viagem de bike, mas isso nos permitiria fazer um pouco mais de "turismo" às custas de um pouco de "ciclo".

Resumo do dia: 102km em 6:22h de pedal. Track aqui.