sábado, 24 de maio de 2014

Carretera Austral 2014 - Parque Queulat até La Junta

(24/1) Choveu durante a noite, mas melhorou pela manhã. Ainda nublado, mas bom o suficiente para arriscarmos fazer a trilha até o mirante do ventisqueiro, então tomamos um café e partimos para a trilha.

 (molhou um pouco...)
 (mesa do café da manhã)
(começo da trilha)

A trilha não é muito longa: um pouco mais de 3kms do começo até o mirante. Subimos num ritmo médio e em uns 50 minutos chegamos no mirante. O local é muito legal, e ficamos uma meia hora admirando a geleira pendurada. Se tivesse sol teria sido ainda mais espetacular, pois o azul faria um contraste melhor com o gelo, em vez do nublado. Mas mesmo assim valeu muito a pena!

(com o amigo imaginário!)

A descida foi mais rápida e retornamos ao sítio 3 para desmontar acampamento. Tivemos que guardar as barracas sem estarem totalmente secas, o que não é legal. Seguimos para Puerto Puyguapi contornando a baía por uma estrada que fica esprimida entre o morro e a água. A cidade é bastante simpática, e teria sido o local ideal para um dia de descanso. Embora a cidade seja bem pequena, ela possui um lodge bem luxuoso! Encontramos o Rafael, que nos esperava lendo um livro na praça e decidimos almoçar antes de seguirmos viagem.

 (Puerto Puyuguapi ao fundo)
 (piscicultura?)

No trecho logo após a saída da cidade passaram por nós vários caminhões pesados carregando pedras, sinal de que existe uma obra grande por perto. Mais adiante encontramos ela: estão asfaltando esse trecho da Carretera. Por uns 10kms fomos brindados com um asfalto lisinho e socamos a bota, o que deve ter diminuído o tempo de pedal do dia em uns 40 minutos pelo menos. Mas a alegria durou pouco e voltamos para o rípio.


Chegamos em La Junta um pouco mais tarde do que normalmente temos chegado nos outros lugares e o frio tinha começado a ficar mais forte. Em pouco tempo conseguimos nos hospedar, e para nossa sorte a pousada tinha um gramado legal nos fundos e um varal onde pudemos pendurar as barracas para secar. Mais tarde saímos para dar uma volta e jantar, e encontramos um pequeno restaurante do tipo "BB" (Bom e Barato :-) ), onde matamos o que deve ter sido o maior "lomo a lo pobre" da viagem (bife, ovo, batata frita e cebolas). Faltou uma Calafate Ale, mas até que o suco de framboesa natural foi um bom substituto! Devidamente alimentados, cama porque amanhã tem mais!


(hein?!)


Resumo do dia: 6.1km de trekking + 69km com 500m de altimetria de bike. Tracks aqui e aqui.


domingo, 18 de maio de 2014

Carretera Austral 2014 - Villa Amengual até Parque Queulat

(23/1) Depois de uma boa noite de sono acordamos para um dia nublado e frio, mas com pouca chance de chuva, o que nessa altura já era uma tremenda de uma boa notícia. Após o ritual matinal de preparação para partida, saímos e encontramos outros cicloturistas na rua, que estavam hospedados em outra pousada. É sempre legal, esse breve momento de troca de experiências, ainda mais quando conversamos com cicloturistas bem mais experientes, como o casal que estava vindo dos estados unidos, e o pessoal que estava fazendo a carretera de bike reclinada (deve ser dificil nas estradas com muitas pedras!). Uma última paradinha na praça da cidade e pegamos a estrada.

 (sem chuva é bem melhor...)
(saca só o "acessório" em cima do alforge!)

O roteiro do dia estava variado... seguiríamos por uma estrada asfaltada até a bifurcação para Puerto Cisnes, e de lá pegaríamos o rípio novamente e cruzaríamos uma montanha em direção a Puerto Puyuhuapi, que fica um pouco depois do Parque Queulat, dois possíveis destinos do dia. Ou seja, ainda tínhamos uma decisão a tomar :-).

O começo do pedal foi bem tranquilo e a estrada tinha bem pouco movimento, então acabou cada um seguindo num ritmo diferente, mas fazendo as paradas para reagrupar. Chega a ser repetitivo, mas novamente passamos por um vale bem bonito e amplo, cruzamos um pequeno monte e entramos em outro vale, só que bem mais estreito e com a estrada sinuosa. Próximo ao final desse vale paramos em um pequeno refúgio próximo ao rio para um lanche. Apesar da natureza exuberante, tivemos até então pouco contato com animais que não aves, então foi uma certa surpresa avistar uma raposa cruzando a estrada em plena luz do dia. Pena que não deu para fotografar.

 (Garoto Propaganda Pedale Bikes/Specialized (R) )


Saindo do refúgio aproveitamos os últimos quilômetros de asfalto até a bifurcação para Puerto Cisnes. Nessa bifurcação encontramos também alguns(as) mochileiros(as) em busca de carona em direção a Puerto Puyuhuapi. Desejamos sorte a eles e seguimos, agora sim, morro acima! O tempo e o esforço para subir colaboraram para fazer a temperatura subir, e tirei o casaco. Apesar da inclinação de bem menos trabalho para vencer essa passagem do que eu havia imaginado! Ao nos aproximarmos do topo, esfriou bastante e pegamos um pouquinho de chuva, o que já era um pouco de se esperar dada a umidade vinda do mar do outro lado.

 (começo da subida)
(Calor!)
(Frio!)

A descida foi bem longa e sinuosa, mas ao terminá-la ainda estávamos a algumas dezenas de quilômetros do destino. Dada a hora (acho que umas 3 da tarde) o grupo achou melhor dar uma parada e preparar um almoço e assim o fizemos próximo a um riacho. Aproveitamos também para discutir o destino do dia, pois tínhamos duas opções: seguir até Puerto Puyhuapi ou acampar no Parque Quelat que é onde fica o Ventisqueiro Colgante (literalmente "Geleira Pendurada"). Durante a viagem o Rafael manteve contato com um amigo cicloturista polonês e combinaram de se encontrar em Puyuhuapi, mas eu, o Pedro e o Mildo queríamos aproveitar a última chance de acampar e visitar o parque, então decidimos nos separar e nos encontrar no dia seguinte para seguir viagem.

Seguimos viagem após o almoço e até voltamos a nos encontrar com o nosso amigo, o "Pacífico" (sim... o oceano :-) ). Uns poucos quilômetros antes da entrada da parque já é possível avistar o Ventisqueiro da estrada, e é incrível, decididamente queria acampar por lá! Chegamos na entrada do parque e nos despedimos até o dia seguinte. O Rafael aproveitou a companhia de um ciclista que também seguia para Puerto Puyuhuapi e o resto do grupo seguiu para o Parque. A portaria fica a apenas 1 km da estrada, e paramos lá para comprar os ingressos de entrada e pagar o camping. Aliás... isso é legal, porque o próprio parque oferece camping com água, um pequeno abrigo e banheiro com chuveiro quente (não tem eletricidade no entanto). Outra novidade é que o camping funciona por "site", ou seja, o parque tem 10 áreas para camping, e vc paga por área, não importando quantas barracas/pessoas são (acho que cada área deve dar para até umas 5 barracas), então acabamos pagando bem pouquinho por pessoa.

 (Ventisqueiro Colgante!)
 
(Pacífico :-)

Chegando ao nosso site, armamos logo acampamento, desequipamos as bikes e seguimos para a entrada das trilhas que levam aos mirantes do Ventisqueiro. Infelizmente o tempo começou a virar,  e até choveu, o que nos fez adiar a caminhada mais longa até o dia seguinte embora tenhamos feito algumas trilhas bem curtas. Até tivemos que nos proteger da chuva em um centro de visitantes e esperar diminuir para voltarmos ao acampamento. Só então tomamos banho (sim, havia áqua quente mesmo!), preparamos o jantar e dormimos ao som de um leve chuvisco.

 (carona na entrada do parque!)
(nosso "sítio"!)


Resumo do dia: 71km com 910m de altimetria. Track aqui.

domingo, 27 de abril de 2014

Carretera Austral 2014 - Villa Manihuales até Villa Amengual

(22/1) O dia de hoje prometia ser bem fácil: 60km, asfalto e com a altimetria suave. Mas a Carretera sempre reserva algumas surpresas, e algumas não muito agradáveis. O dia anterior havia sido frio, e durante a noite começou a chover e continuou até o amanhecer. Embora a nossa programação tenha dado certo até agora, eu preciso me acostumar a colocar uns dias extras, ou  "dias de leitura", aquele tipo de dia para tomar café da manhã, voltar pra cama e passar o resto do dia lendo ou fazendo nada. Perdemos uma boa oportunidade de fazer isso :-). Mas enfim a contrariando a previsão do tempo tínhamos que seguir. Uma última foto na frente do hostel e partiu estrada!


No começo até demos sorte e encaramos só um pouco de frio e tempo nublado. Uma paisagem "rural" bem agradável, estrada vazia e boa. Mas... o tempo não foi tão clemente assim! A chuva veio e a princípio bem tímida a ponto de pensar se deveria parar e colocar os impermeáveis ou seguir assim mesmo. Pouco depois ela não deixou dúvidas e parei para colocar calça e casaco impermeável.


Por volta dos 30km paramos para um rápido lanche e deu para ver o estrago na moral da grupo. Não apenas pela chuva, mas pelo frio! Manter a temperatura molhado é mais difícil. E as paradas como a que fizemos não ajudam porque dai o corpo, e principalmente o suor por baixo dos impermeáveis esfria, então a melhor estratégia é parar o mínimo possível.

 (4 graus! Mas a sensação térmica era ainda pior)


A estrada/região parecia bonita, mas não tínhamos condições de aprecia-la como ela merecia (mais uma razão para programar os dias de leitura!). Acabamos entrando no modo "sobrevivência"... e assim seguimos pelos quilômetros finais até chegar em Villa Amengual. Uma paradinha rapida na praça principal e saímos atrás de hospedagem. Haviam bem poucas opções e algumas sem vagas! Mas acabamos encontrando um hostel simples e nos hospedamos. Se um banho quente depois de um pedal já costuma ser muito bom, o de hoje fez milagres e ajudou muito a recuperar o humor!

(pensa num mau humor...)

Como chegamos relativamente cedo, pudemos interagir mais com outros viajantes no hostel. Conversamos bastante com um casal israelense que estava percorrendo a Carretera em um wolkswagen Gol alugado (quem disse que precisa de 4x4?)! Eles faziam trechos curtos cada dia e se hospedavam em hostels justamente por esse convívio. Foi legal saber mais sobre a vida em um Kibutz e sobre culinária deles! O Rafael estava muito interessado em aprender sobre a tal da Shakshouka que nós já havíamos visto outros israelenses preparando em outros hostels.

 (Nossos novos amigos israelenses. Ainda encontraríamos com eles mais a frente)
(CG125?)

O hostel funcionava também como uma espécie de "parada" para quem estava viajando de carro/van pela região, já que tinha um pequeno restaurante/lanchonete. Passou por lá um suiço que veio pro Chile estudar e antes de retornar estava percorrendo a Carretera em algo equivalente a uma CG125 (moto)! Parece que estava com problemas e precisava chegar em Coihayque! Claro que ele estava quase congelando tb!


No final da tarde o tempo começou a melhorar e até apareceu um pouco de céu azul para nos animar! Uma cerveja antes da janta, salmão e cama... uma boa maneira de terminar o dia!

Resumo do dia: 59 km com 550m de altimetria. Track aqui.