sábado, 24 de maio de 2014

Carretera Austral 2014 - La Junta até Villa Santa Lucia

(25/1) Seguindo a roleta que é o tempo nessa região, amanheceu com sol, o que tornaria o dia um pouco mais interessante. O trecho de hoje seria mais ou menos fácil: uns 68km e com altimetria baixa. Mas, como já aprendemos, não se pode subestimar a Carreteira, e haviam nos dito que esse trecho estava ruim devido a obras.


Tomamos café na hospedaria, arrumamos as coisas, e partimos. Fizemos uma breve parada na praça central, e depois na ponte na saída da cidade. Logo após a ponte vimos que o negócio da obra era sério! Eu havia aprendido em outra viagem, que ao contrário do que eu imaginava, uma estrada em obra não é algo entre uma estrada boa e asfaltada e uma estrada de terra, e sim algo muito pior! No trecho de hoje, a estrada estava naquela fase onde é feito um leito de pedras, que somente depois de bem assentadas servirão de base para o asfalto. As pedras soltas tornam a direção mais difícil e acabamos olhando mais tempo pro chão do que para paisagem :-(. E para completar, ainda haviam as placas: "em obras nos próximos 15km". Depois de percorridos os 15km, encontrávamos outra: "em obras próximos 20km"!!! Em resumo, estava o trecho inteiro em obras!

 (aqui ainda estava bom...)
(vai começar...)
 (começou!)
 (mas o dia estava fantástico!)

Apesar disso, o tempo estava agradável, e até mesmo "quente", para os padrões patagônicos é claro! Por conta do terreno acabou cada um seguindo num ritmo diferente. Com uns 40km percorridos paramos em uma pequena vila chamada Villa Vanguardia. Pequena mesmo... tipo umas 6 casas, e para nossa sorte, uma vendinha/restaurante. Optamos por cozinhar, mas compramos suco e cerveja na vendinha :-).

 (saindo de Villa Vanguardia)

Depois de alimentados e de um breve descanso voltamos para a estrada. Alguns quilômetros mais a frente encontramos a confluência dos rios Palema e Frio, e por coincidência completamos também 1000km de pedal! Mais um bocado de quilômetros de tremedeira e chegamos em Villa Santa Lucia. A vila é pequena também, mas tivemos alguma sorte e conseguimos uma cabana legal. A água quente foi um problema, pois não havia pressão suficiente para fazer o aquecedor funcionar, e acabei indo tomar banho na casa do dono das cabanas. Fizemos algumas compras e a noite cozinhamos! Ah... O casal de israelenses que havíamos conhecido em Villa Amengual chegou de carro e se hospedou na cabana vizinha, e pudemos conversar mais um pouquinho.

 (Confluência dos rios Frio e Palema)
 (1ooo kms!)
(momento coca-cola, só que com água!)
 (Praça de Villa Santa Lucia)
(nossa cabana)
(pensa numa corrente suja...)

Resumo do dia: 70km com 670 de altimetria. Track aqui.

Carretera Austral 2014 - Parque Queulat até La Junta

(24/1) Choveu durante a noite, mas melhorou pela manhã. Ainda nublado, mas bom o suficiente para arriscarmos fazer a trilha até o mirante do ventisqueiro, então tomamos um café e partimos para a trilha.

 (molhou um pouco...)
 (mesa do café da manhã)
(começo da trilha)

A trilha não é muito longa: um pouco mais de 3kms do começo até o mirante. Subimos num ritmo médio e em uns 50 minutos chegamos no mirante. O local é muito legal, e ficamos uma meia hora admirando a geleira pendurada. Se tivesse sol teria sido ainda mais espetacular, pois o azul faria um contraste melhor com o gelo, em vez do nublado. Mas mesmo assim valeu muito a pena!

(com o amigo imaginário!)

A descida foi mais rápida e retornamos ao sítio 3 para desmontar acampamento. Tivemos que guardar as barracas sem estarem totalmente secas, o que não é legal. Seguimos para Puerto Puyguapi contornando a baía por uma estrada que fica esprimida entre o morro e a água. A cidade é bastante simpática, e teria sido o local ideal para um dia de descanso. Embora a cidade seja bem pequena, ela possui um lodge bem luxuoso! Encontramos o Rafael, que nos esperava lendo um livro na praça e decidimos almoçar antes de seguirmos viagem.

 (Puerto Puyuguapi ao fundo)
 (piscicultura?)

No trecho logo após a saída da cidade passaram por nós vários caminhões pesados carregando pedras, sinal de que existe uma obra grande por perto. Mais adiante encontramos ela: estão asfaltando esse trecho da Carretera. Por uns 10kms fomos brindados com um asfalto lisinho e socamos a bota, o que deve ter diminuído o tempo de pedal do dia em uns 40 minutos pelo menos. Mas a alegria durou pouco e voltamos para o rípio.


Chegamos em La Junta um pouco mais tarde do que normalmente temos chegado nos outros lugares e o frio tinha começado a ficar mais forte. Em pouco tempo conseguimos nos hospedar, e para nossa sorte a pousada tinha um gramado legal nos fundos e um varal onde pudemos pendurar as barracas para secar. Mais tarde saímos para dar uma volta e jantar, e encontramos um pequeno restaurante do tipo "BB" (Bom e Barato :-) ), onde matamos o que deve ter sido o maior "lomo a lo pobre" da viagem (bife, ovo, batata frita e cebolas). Faltou uma Calafate Ale, mas até que o suco de framboesa natural foi um bom substituto! Devidamente alimentados, cama porque amanhã tem mais!


(hein?!)


Resumo do dia: 6.1km de trekking + 69km com 500m de altimetria de bike. Tracks aqui e aqui.


domingo, 18 de maio de 2014

Carretera Austral 2014 - Villa Amengual até Parque Queulat

(23/1) Depois de uma boa noite de sono acordamos para um dia nublado e frio, mas com pouca chance de chuva, o que nessa altura já era uma tremenda de uma boa notícia. Após o ritual matinal de preparação para partida, saímos e encontramos outros cicloturistas na rua, que estavam hospedados em outra pousada. É sempre legal, esse breve momento de troca de experiências, ainda mais quando conversamos com cicloturistas bem mais experientes, como o casal que estava vindo dos estados unidos, e o pessoal que estava fazendo a carretera de bike reclinada (deve ser dificil nas estradas com muitas pedras!). Uma última paradinha na praça da cidade e pegamos a estrada.

 (sem chuva é bem melhor...)
(saca só o "acessório" em cima do alforge!)

O roteiro do dia estava variado... seguiríamos por uma estrada asfaltada até a bifurcação para Puerto Cisnes, e de lá pegaríamos o rípio novamente e cruzaríamos uma montanha em direção a Puerto Puyuhuapi, que fica um pouco depois do Parque Queulat, dois possíveis destinos do dia. Ou seja, ainda tínhamos uma decisão a tomar :-).

O começo do pedal foi bem tranquilo e a estrada tinha bem pouco movimento, então acabou cada um seguindo num ritmo diferente, mas fazendo as paradas para reagrupar. Chega a ser repetitivo, mas novamente passamos por um vale bem bonito e amplo, cruzamos um pequeno monte e entramos em outro vale, só que bem mais estreito e com a estrada sinuosa. Próximo ao final desse vale paramos em um pequeno refúgio próximo ao rio para um lanche. Apesar da natureza exuberante, tivemos até então pouco contato com animais que não aves, então foi uma certa surpresa avistar uma raposa cruzando a estrada em plena luz do dia. Pena que não deu para fotografar.

 (Garoto Propaganda Pedale Bikes/Specialized (R) )


Saindo do refúgio aproveitamos os últimos quilômetros de asfalto até a bifurcação para Puerto Cisnes. Nessa bifurcação encontramos também alguns(as) mochileiros(as) em busca de carona em direção a Puerto Puyuhuapi. Desejamos sorte a eles e seguimos, agora sim, morro acima! O tempo e o esforço para subir colaboraram para fazer a temperatura subir, e tirei o casaco. Apesar da inclinação de bem menos trabalho para vencer essa passagem do que eu havia imaginado! Ao nos aproximarmos do topo, esfriou bastante e pegamos um pouquinho de chuva, o que já era um pouco de se esperar dada a umidade vinda do mar do outro lado.

 (começo da subida)
(Calor!)
(Frio!)

A descida foi bem longa e sinuosa, mas ao terminá-la ainda estávamos a algumas dezenas de quilômetros do destino. Dada a hora (acho que umas 3 da tarde) o grupo achou melhor dar uma parada e preparar um almoço e assim o fizemos próximo a um riacho. Aproveitamos também para discutir o destino do dia, pois tínhamos duas opções: seguir até Puerto Puyhuapi ou acampar no Parque Quelat que é onde fica o Ventisqueiro Colgante (literalmente "Geleira Pendurada"). Durante a viagem o Rafael manteve contato com um amigo cicloturista polonês e combinaram de se encontrar em Puyuhuapi, mas eu, o Pedro e o Mildo queríamos aproveitar a última chance de acampar e visitar o parque, então decidimos nos separar e nos encontrar no dia seguinte para seguir viagem.

Seguimos viagem após o almoço e até voltamos a nos encontrar com o nosso amigo, o "Pacífico" (sim... o oceano :-) ). Uns poucos quilômetros antes da entrada da parque já é possível avistar o Ventisqueiro da estrada, e é incrível, decididamente queria acampar por lá! Chegamos na entrada do parque e nos despedimos até o dia seguinte. O Rafael aproveitou a companhia de um ciclista que também seguia para Puerto Puyuhuapi e o resto do grupo seguiu para o Parque. A portaria fica a apenas 1 km da estrada, e paramos lá para comprar os ingressos de entrada e pagar o camping. Aliás... isso é legal, porque o próprio parque oferece camping com água, um pequeno abrigo e banheiro com chuveiro quente (não tem eletricidade no entanto). Outra novidade é que o camping funciona por "site", ou seja, o parque tem 10 áreas para camping, e vc paga por área, não importando quantas barracas/pessoas são (acho que cada área deve dar para até umas 5 barracas), então acabamos pagando bem pouquinho por pessoa.

 (Ventisqueiro Colgante!)
 
(Pacífico :-)

Chegando ao nosso site, armamos logo acampamento, desequipamos as bikes e seguimos para a entrada das trilhas que levam aos mirantes do Ventisqueiro. Infelizmente o tempo começou a virar,  e até choveu, o que nos fez adiar a caminhada mais longa até o dia seguinte embora tenhamos feito algumas trilhas bem curtas. Até tivemos que nos proteger da chuva em um centro de visitantes e esperar diminuir para voltarmos ao acampamento. Só então tomamos banho (sim, havia áqua quente mesmo!), preparamos o jantar e dormimos ao som de um leve chuvisco.

 (carona na entrada do parque!)
(nosso "sítio"!)


Resumo do dia: 71km com 910m de altimetria. Track aqui.